Existe um minuto, logo depois que o bebê nasce, em que o mundo inteiro parece parar. É o minuto do primeiro choro, do primeiro olhar, do primeiro colo. E é exatamente nesse minuto — antes mesmo de você segurar seu filho pela primeira vez — que o pediatra neonatologista já está trabalhando.

Muita gente só pensa em escolher o pediatra do bebê depois que ele nasce. Mas quem está na sala de parto, avaliando a respiração, a cor da pele, os reflexos e a adaptação do recém-nascido à vida fora da barriga, também é um pediatra — especializado em neonatologia. E ter alguém de confiança nesse papel muda completamente a experiência do nascimento.

Neste post, quero explicar o que a neonatologista realmente faz na sala de parto, por que esse acompanhamento importa tanto quanto o parto em si, e como funciona esse cuidado aqui na Mamma Gaia.

Por que ter uma neonatologista de confiança no nascimento

Toda maternidade tem uma pediatra de plantão disponível na sala de parto — é uma exigência legal, e ainda bem que é assim. Mas essa profissional, na maioria das vezes, você nunca viu antes e provavelmente não vai ver depois.

Contratar uma neonatologista de confiança para acompanhar o nascimento do seu bebê é diferente: é alguém que você já conhece, que talvez já tenha acompanhado seu pré-natal pediátrico, e que vai seguir cuidando do seu filho nas semanas e meses seguintes. A continuidade do cuidado começa ali, no primeiro minuto de vida — não depois.

Isso também tira um peso enorme dos ombros de quem está dando à luz. Saber que existe uma pessoa de confiança cuidando exclusivamente do bebê permite que a mãe, o pai e toda a equipe obstétrica foquem no que também precisa de atenção: o parto.

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O que acontece nos primeiros minutos de vida do bebê

Assim que o bebê nasce, a neonatologista avalia rapidamente alguns sinais essenciais: a respiração, os batimentos cardíacos, o tônus muscular, a cor da pele e a resposta a estímulos. É o chamado Boletim de Apgar, feito no primeiro e no quinto minuto de vida.

Sempre que possível, esse exame acontece com o bebê já no colo da mãe, sem separar os dois — o famoso contato pele a pele, que ajuda na regulação da temperatura, do açúcar no sangue e até do vínculo entre mãe e bebê. Só quando algo realmente precisa de atenção mais próxima é que o bebê é levado para uma mesa de reanimação neonatal.

Depois desses primeiros minutos, a neonatologista segue de perto o começo da amamentação, os primeiros exames de triagem e a alta da maternidade — sempre de olho em qualquer sinal que peça mais atenção.

Entendendo o Boletim de Apgar

O Boletim de Apgar existe desde 1952 e continua sendo, até hoje, a forma mais rápida e confiável de avaliar como o bebê está se adaptando à vida fora do útero. Cinco sinais são observados — frequência cardíaca, esforço respiratório, tônus muscular, resposta a estímulos e cor da pele — e cada um recebe uma nota de 0 a 2, somando um total de 0 a 10.

Notas entre 7 e 10 indicam uma boa adaptação. Entre 4 e 6, o bebê pode precisar de alguns estímulos extras, como aspiração de secreções ou oxigênio. Abaixo de 4, é preciso reanimação mais ativa — situação rara, mas para a qual a equipe está sempre preparada.

Vale desmistificar um medo comum: um Apgar de 8 no primeiro minuto, por exemplo, não é motivo de preocupação. É rotineiro que a nota do primeiro minuto seja levemente mais baixa que a do quinto — geralmente por causa da cor da pele, que ainda está se ajustando à circulação fora do útero — e a maioria dos bebês chega ao quinto minuto com nota 9 ou 10.

Outros cuidados de rotina logo após o nascimento

Além do Boletim de Apgar, existem alguns procedimentos de rotina que costumam acontecer nas primeiras horas de vida, e vale a pena saber quais são para poder conversar sobre eles com antecedência:

  • Clampeamento oportuno do cordão umbilical. Esperar de 1 a 3 minutos antes de cortar o cordão (quando o bebê nasce bem) aumenta a transferência de sangue e ferro para o recém-nascido, com benefícios reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde.
  • Vitamina K. Uma aplicação para prevenir a doença hemorrágica do recém-nascido, já que os bebês nascem com níveis naturalmente baixos dessa vitamina.
  • Profilaxia ocular (credê). Um colírio aplicado para prevenir infecções oculares que podem ser transmitidas durante o parto.
  • Primeira dose da vacina de hepatite B, geralmente ainda na maternidade.
  • Peso, comprimento e perímetro cefálico, medidos e registrados na caderneta da criança.
  • Verificação da glicemia, quando há fatores de risco como prematuridade, baixo peso ou diabetes gestacional na mãe.

Ter uma neonatologista de confiança acompanhando esse momento significa que cada um desses passos pode ser explicado a você em tempo real, sem pressa e sem jargão técnico.

A diferença entre a pediatra de plantão e uma profissional contratada

Não me leve a mal: as pediatras de plantão das maternidades são profissionais capacitadas, e sua presença é uma proteção importante para todo bebê que nasce. Mas existe uma diferença real entre ser atendido por alguém que você nunca viu e por alguém que você escolheu.

Quando você contrata uma neonatologista para acompanhar o parto, ela pode conversar com você antes, entender suas expectativas, saber se você planeja amamentar, se há alguma história de saúde na família que mereça atenção redobrada, e estar alinhada com o seu obstetra sobre o plano de parto. Depois do nascimento, essa mesma profissional continua acompanhando as consultas de rotina do bebê — sem que você precise recontar sua história para alguém novo a cada consulta.

Parto normal ou cesárea: o cuidado do neonatologista muda?

A avaliação inicial do bebê segue os mesmos princípios independentemente do tipo de parto, mas alguns detalhes merecem atenção específica. Bebês nascidos de cesárea, especialmente as eletivas, podem levar um pouco mais de tempo para eliminar o líquido pulmonar que carregavam dentro do útero, o que às vezes exige uma observação mais próxima da respiração nas primeiras horas.

Já bebês de parto normal passam pelo canal vaginal, o que contribui para a colonização inicial de bactérias benéficas — um dos motivos, inclusive, pelos quais o contato pele a pele imediato é tão valorizado também nas cesáreas, como forma de compensar parcialmente essa diferença.

Na prática, isso não deve ser motivo de ansiedade: seja qual for o tipo de parto, ter uma neonatologista presente significa que qualquer ajuste necessário na avaliação já está sendo feito, sem que você precise se preocupar com esse detalhe no meio de um momento tão importante.

Como funciona o acompanhamento na Baía do Nascer

Recém-nascido em contato pele a pele com a mãe, logo após o parto, com o pai ao lado sorrindo, na maternidade

Aqui na Mamma Gaia, esse serviço tem nome: Baía do Nascer. É o nosso acompanhamento pediátrico dentro da sala de parto, pensado para que o primeiro contato do seu bebê com o mundo seja recebido com segurança médica desde o primeiro segundo — sem abrir mão do acolhimento e da calma que esse momento pede.

Na prática, isso significa que eu estarei presente no seu parto, já conhecendo você e sua história, pronta para receber seu bebê com todo o cuidado técnico necessário e, ao mesmo tempo, com o respeito por um momento que é único e irrepetível.

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Quando o bebê pode precisar de cuidados especiais

A grande maioria dos recém-nascidos passa pelos primeiros minutos de vida sem qualquer intercorrência. Mas em alguns casos, o bebê pode precisar de observação mais próxima ou de internação na UTI Neonatal — por exemplo, em situações de prematuridade, baixo peso ao nascer, dificuldade respiratória persistente, sinais de infecção ou glicemia que não se estabiliza mesmo após as primeiras mamadas.

Quando isso acontece, ter uma neonatologista de confiança acompanhando o caso desde o primeiro minuto faz uma diferença enorme: a comunicação com a família é mais clara, as decisões são compartilhadas com mais transparência, e a ansiedade natural desse momento é acolhida por alguém que os pais já conhecem — em vez de uma equipe totalmente nova em um momento já difícil.

Reforçando: isso é a exceção, não a regra. A imensa maioria dos bebês vai para o colo da mãe, mama nas primeiras horas e recebe alta junto com a família, sem nenhuma intercorrência.

O olhar da Pediatria Sistêmica sobre o nascimento

Na Pediatria Sistêmica, entendemos o nascimento não como um evento isolado, mas como o primeiro capítulo de uma história contínua que começa no pré-natal pediátrico e segue por toda a infância. Quando a mesma profissional acompanha a gestante antes do parto, recebe o bebê na sala de parto e continua as consultas depois, a família ganha algo raro no sistema de saúde atual: continuidade de vínculo.

Essa continuidade não é só conveniência — ela tem valor clínico real. Uma profissional que já conhece o histórico da gestação percebe mais rápido qualquer mudança sutil no comportamento ou na adaptação do recém-nascido, e a família, por sua vez, se sente mais segura para fazer perguntas e relatar preocupações sem medo de parecer excessiva.

📅 Quer conversar sobre isso com a Dra. Patty? Conheça a Acompanhamento em Sala de Parto (Baía do Nascer) — consulta particular de 60 minutos, na Vila Clementino (SP) ou por teleconsulta — ou chame no WhatsApp (11) 5990-2073.

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Perguntas frequentes

É obrigatório ter uma pediatra particular na sala de parto?

Não é obrigatório — toda maternidade já conta com uma pediatra de plantão por exigência legal. Contratar uma neonatologista de confiança é uma escolha adicional, que traz continuidade de cuidado e mais acolhimento, mas não substitui uma exigência do hospital.

Quanto tempo antes do parto devo contratar a neonatologista?

O ideal é conversar ainda durante o pré-natal, especialmente a partir do terceiro trimestre, para dar tempo de alinhar expectativas, conhecer sua história e estar disponível na data prevista do parto.

A neonatologista contratada substitui a pediatra do hospital?

Não. As duas profissionais trabalham em conjunto: a pediatra do hospital cumpre a exigência legal da instituição, e a neonatologista contratada acompanha você com mais proximidade e continua os cuidados depois da alta.

O que é um Apgar baixo e devo me preocupar?

Um Apgar entre 4 e 6 indica que o bebê precisou de estímulos extras logo após o nascimento, o que é acompanhado de perto pela equipe. Abaixo de 4 exige reanimação mais ativa, situação rara para a qual a equipe está sempre preparada. Notas entre 7 e 10 indicam boa adaptação.

Meu parto será cesárea agendada, isso muda algo no acompanhamento?

Pode exigir uma observação um pouco mais próxima da respiração nas primeiras horas, mas não muda a importância do acompanhamento — pelo contrário, ter uma neonatologista de confiança presente ajuda a identificar rapidamente qualquer ajuste necessário.

Como funciona se eu tiver o bebê fora do hospital combinado?

Vale conversar com antecedência sobre essa possibilidade. Em geral, o acompanhamento é combinado para maternidades específicas, mas alternativas podem ser conversadas caso a caso durante o pré-natal.

Referências

  • Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) — Programa de Reanimação Neonatal.
  • Ministério da Saúde — Diretrizes de Atenção à Saúde do Recém-Nascido.
  • American Academy of Pediatrics (AAP) — Neonatal Resuscitation Program.
  • Organização Mundial da Saúde (OMS) — Recomendações sobre clampeamento oportuno do cordão umbilical e contato pele a pele.

Se você já está grávida e ainda não pensou em quem vai cuidar do seu bebê logo ao nascer, esse é o momento de conversar sobre isso. E se tiver dúvidas sobre outros momentos dessa jornada — da consulta pré-natal pediátrica às primeiras semanas em casa — dá uma olhada nas Perguntas Frequentes aqui do site.

O nascimento é uma onda que só vem uma vez. Que ela encontre seu bebê em boas mãos.

Beijo Beijo 🩵

Dra. Patty Terrível — Pediatra e Neonatologista · CRM-SP 157.592 · RQE 61613. Conteúdo informativo; não substitui a consulta.